Projeto · 14 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Pergolado de madeira: pé-direito, vãos, cobertura e fixação
Pé-direito, vão entre pilares, ripa que faz sombra, policarbonato com caimento, o pilar sobre sapata e o encontro do pergolado com deck e churrasqueira.

Vem cá antes de cravar o primeiro pilar. Pergolado parece o projeto mais fácil do catálogo, quatro pilares, vigas em cima, ripas por cima das vigas, e é justamente por isso que aparece tanto pergolado errado por aí. Baixo demais, ripa que não faz sombra, policarbonato empoçado, pilar apodrecendo dentro do piso. Deixa eu te mostrar o que a gente confere antes de fechar qualquer projeto.
Faça mais alto do que a vontade pede
A tentação é fazer baixo, “aconchegante”. Na prática, pergolado com 2,20 m de pé-direito, com uma luminária pendente e alguém alto de pé, vira cabeçada. E esquenta: o ar quente fica preso entre as ripas e a cabeça de quem está embaixo.
A faixa confortável fica entre 2,50 m e 3,00 m do piso à parte de baixo das vigas. Perto de churrasqueira, mais alto, para a fumaça ter para onde ir. Se o pergolado encosta na casa, alinhe com a altura da laje ou da platibanda, para não brigar com a fachada.
O vão manda no tamanho da viga
Madeira tem vão confortável. Entre 3 e 4 metros, as vigas de eucalipto ou pinus ficam com altura proporcional e o conjunto sai elegante. Acima disso, a viga cresce, o pergolado fica pesado no olhar ou precisa de viga metálica escondida, e o custo sobe rápido.
Quer cobrir 6 metros de largura? Coloque um pilar no meio, ou aceite uma viga bem mais robusta. O que não dá é esticar a mesma viga de 3 metros para 6 e esperar que ela não embarrigue. Em uns dois verões, embarriga.
O espaçamento das ripas em cima define a sombra. Ripa de 5 cm com vão de 5 cm dá uma sombra na faixa de 50%, que serve para uma mesa de almoço. Ripa muito espaçada vira só uma moldura no céu: bonita na foto, inútil ao meio-dia de dezembro.
Aberto, policarbonato ou trepadeira: depende do que vai embaixo
Pergolado aberto, só de ripas, é o mais barato e o mais leve. Chove, molha. Serve para jardim, passagem, beira de piscina onde ninguém precisa ficar seco.
Policarbonato transforma o pergolado em cobertura, com três regras de que não abro mão. Caimento de pelo menos uns 5%, para a água escorrer e a sujeira não acumular. Chapa com proteção UV, senão amarela em dois ou três anos. E fixação com perfis e vedação próprios, que deixam a chapa dilatar. Parafusada direto, sem folga, ela trinca na primeira noite fria de junho depois de uma tarde de sol. Alveolar ou compacto, tanto faz para a madeira; o alveolar esquenta menos.
Trepadeira é a cobertura mais bonita e a que mais exige. Jasmim, tumbérgia e alamanda são leves e crescem rápido. Buganvília fica pesada e tem espinho; maracujá pede poda. Toda planta em cima da madeira segura umidade, então o stain nesse pergolado é anual, sem falta, e a poda precisa deixar a madeira respirar.
O pilar não entra no piso, e esse é o erro caro
É o que a gente mais refaz. Pilar de madeira concretado direto no piso ou enterrado ao lado do deck, com a base sempre úmida. Madeira tratada em autoclave aguenta muito, mas esse é o lugar onde ela mais sofre.
O pilar sobe sobre uma sapata de concreto, com uma base metálica galvanizada ou inox que o deixa alguns centímetros acima do piso. Água escorre, ar passa, a base seca. Se o piso é um deck, o pilar atravessa o deck até a sapata própria; ele não se apoia na régua.
Por cima, as ligações entre pilar e viga levam parafuso passante ou chapa, nunca prego. Ferragem galvanizada a fogo ou inox, porque o cobre do tratamento CCA corrói aço comum.
Deck e churrasqueira embaixo: a ordem importa
Pergolado com deck é uma combinação que a gente monta com frequência, e a sequência não muda: primeiro as sapatas e os pilares, depois o vigamento do deck, depois as réguas. Quem faz o deck primeiro e tenta encaixar o pilar acaba com um furo na régua e um pilar sem fundação.
Churrasqueira embaixo funciona, com condições. A boca e a chaminé ficam fora da projeção das ripas, ou com uma folga boa delas. A fumaça mancha a madeira, e o calor do dia de festa resseca a peça mais próxima. Pergolado aberto perto do fogo; policarbonato e trepadeira, longe.
Os erros que a gente refaz mais vezes
Não é lista para copiar. É o que aparece na hora de desmontar e fazer de novo.
- Pilar concretado dentro do piso, sem sapata e sem base metálica.
- Policarbonato plano, sem caimento, com poça verde no meio.
- Ripas espaçadas demais “para não pesar”, e ninguém usa o pergolado ao meio-dia.
- Viga de 3 metros esticada num vão de 5, com barriga à vista.
- Pergolado apoiado no muro do vizinho.
- Ponta de ripa cortada na obra e não retocada com preservativo.
Tem o espaço e uma ideia do que vai acontecer embaixo dele? Escreve pra gente com as medidas. Sai daí uma proposta com pé-direito, vão e cobertura pensados para o seu caso.


